segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Which Experience?

Work, slave ou snowboard? Escolham suas opções.

Há quem diga que isso tudo é uma mentira. Por vários aspectos. Estar aqui e fazer o trabalho que milhares de americanos não fariam e que nem nós mesmos faríamos no Brasil é como viver o outro lado da moeda. Muitas pessoas me falaram que não pagariam um programa caríssimo para limpar a privada "desses americanos".

Mas a verdade é que eu estou aqui, já limpei muita privada, já fiz muito loading nos lifts e já fiz mais de cinco pés de neve. Se você for pegar por esse lado, vai perceber que trabalho feito um condenado e, com pena de mim, trocaria o nome do intercâmbio para Slave Experience (Experiência de Escravidão). Pode parecer bobagem, mas é assim que alguns americanos veem nosso trabalho aqui. Ah, eu estou falando dos que usufruem da montanha, não os que trabalham, já que estão no mesmo barco.

Aí eu lembro do Fernão, um baiano muito gente boa que a gente encontrou no aeroporto no dia em que chegamos aqui nos EUA. Em seu terceiro ano como lift operator, na mesma montanha, morando na mesma casa, Fernão dizia que tinha vindo essencialmente pelo snowboard. Como eu até então não tinha estado em cima de uma prancha de snow, apenas ri e disse que vinha pelo dinheiro e por todas as coisas que ele poderia me comprar.

E eu aprendi a fazer snowboard. Minha vida mudou? Não... mas posso garantir que é uam das melhores sensações que eu já experimentei na minha vida. Livre, leve, fazendo a sua linha, e sentindo o vento no rosto. Não tem como explicar o que é. Só sei que virou parte da minha rotina em Windham. Durante a semana é obrigatório que eu vá pelo menos umas duas vezes fazer snow.

O work? Ué, continua. Só essa semana eu fiz 40 horas em três dias. Isso dá uma média de 13,33... horas de trabalho por dia. É muito? Talvez, mas pelo menos eu vou passar mais dois dias ganhando hora extra. Maravilha Maravilha. Só espero que não me coloquem para cortar lenha de novo. Ê trabalhinho chato. E cansativo! O Jari fica cortando as toras e eu fico jogando na caçamba do caminhão. O resto faz figuração.

Antes que perguntem do violão, ele chegou! Meu Taylor chegou e agora se junta com o conterâneo americano Martin e o estrangeiro chinês Takamine, que tá no Rio. A família musical vai aumentando e a galera aqui vai precisar de muito ouvido pra me aturar tocando violão o dia inteiro. =] A lista de brinquedos novos deve parar por aí, tirando os joguinhos de video game que ainda virão. Mas agora é juntar dinheiro pra pagar o aluguel da casa e pra pensar em comprar minhas roupas em Woodburry, um dos outlets mais famosos dos EUA.

No mais tá tudo bem. Estou relaxado, aproveitando ao máximo cada descida na prancha, cada hora no trabalho, cada vez que eu lavo roupa, já que é a hora em que eu atualizo o blog.

Um beijão para todos.

Gustavo Lacombe,

The Brazilian Snowmaker / Newbie Snowboarder

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