Descobri uma coisa que milhões de Brasileiros descobrem todos os dias: meu Chefe é um Bosta.
Verdade. Mudei minha opinião sobre o 'supervisor' que temos. O cara que nos primeiros dias era legal, conversava, falava que eu tinha feito um bom trabalho, se transformou desde que, na semana passada, eu disse para ele que não estava fazendo horas suficientes sendo snowmaker. Josh Boss (Chefe Josh) parece não ter gostado de eu ter encontrado uma outra posição dentro da Montanha como Lodge Maintenance e agora toda vez que pode fazer uma gracinha ele não perde a oportunidade.
Mas o Chefe não é o único. O esteriótipo-mor dos americanos, aquele cara babaca, alienado, criança e fumador de maconha, o Josh Coon, ainda não parou com as brincadeirinhas. Pelo menos agora eu respondo. Atravessado, de preferência, mas sem nunca desrespeitar, ou eu perco a razão. Mas é foda ser o Brasileiro que tem que aguentar tudo calado.
Mas serei honesto. Até agora eles não me desrespeitaram. Se o fizerem irei diretamente aos Recursos Humanos. Aliás, outro dia eu fui lá para resolver o problema das horas a mais no pay-check e o quando contei ao Supervisa ele foi de uma má vontade comigo. Parece que o que acontece nos Snowmaker, fica ali. Comigo não. Problema sério eu levo no RH, fato!
O fato que me levou a escrever tudo isso foi de que esse mesmo supervisor que cobra uma postura adequada de seus funcionários, que pediu pra eu falar sempre que tivesse um problema, que pareceu ser legal, disse em alto em bom som para quem quisesse ouvir que eu só sabia pedir as coisas e que nunca estava satisfeito. Detalhe: Eu tinha acabado de sair.
É, amigo, é dura a realidade de um 'cucaracho' nos EUA. Essa expressão, usada para definir os latinos de um modo geral como as baratas que infestam o país norte-americano e precisam ser eliminadas, já foi usada por um dos meus co-workers, mas ele claramente se referia aos mexicanos. Aliás, esse mesmo cara, o Gregg, já se manifestou contra qualquer internacional fazendo esses 'serviços de americanos', mas que não era culpa nossa nós estarmos ali. Acho que tirar lixo e lavar banheiro ele não faz questão de ver seus irmãos trabalhando não.
O trabalho? Ontem foi bem legal. Dois intervalos de 3 horas, quatro descidas idiotas, sem fazer muita coisa, e um computador com Age of Empires para eu brincar. E brinquei muito. Todo mundo ficou impressionado como eu fazia minha cidade crescer rápido. Há! pela primeira vez eles ficaram impressionados com algo que eu fiz. Mas é uma coisa que a gente aprende aqui: Ficar quieto, entrar mudo e sair calado, não reclamar e trabalhar, porque no fim da temporada o bônus taí.
Ontem, também, o Matt passou a noite inteira me chamando de Jaime. Jaime é um chileno que trabalha comigo e que tá sempre com o Matt, mas ontem era eu. Agora, poxa, o Jaime é maior que eu, é chileno, fala inglês com um sotaque monstro (eu tenho um sotaquezinho), e de vez em quando larga o foda-se e faz o que ele acha que tem que fazer. Não dá pra confundir comigo. Enfim.
E o que você diria de alguém que sai no meio do trabalho e vai a uma festa? Isso aconteceu! Ontem! Esse mesmo Jaime e outro colega, o Rob (vendedor de muamba e outras cositas más), achavam a noite muito chata, sonolenta e resolveram ir à festa na minha casa (era aniversário de uma das meninas). Ninguém soube que eles saíram. Enquanto a gente ralava (jogando Age of Empires), eles iam para a festa. Meninice, criancice, falta de ética, qualquer coisa. Eu podia estar jogando computador e o resto dormindo, mas a gente tava na montanha. Ali pra qualquer coisa que o 6-0 (o Controle das máquinas) os chamasse. É, amigo.
Entretanto, não é problema meu. Vamos trabalhar, porque como eu já disse, o bônus taí. E eu quero.
Gus Lacombe,
The Brazilian Snowmaker
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