Sou feliz. Isso é fato.
Enquanto estamos aqui a maior dúvida que temos é se estamos aproveitando ao máximo a oportunidade de viver com pessoas diferentes, trabalhar, fazer coisas diferentes, festejar e se divertir. E entre todas as perguntas como 'você vai trabalhar hoje?', sempre aparece essa: 'Tá feliz?'. É complicado. Tem momentos em que nitidamente estmos tristes, mas ainda assim estamos vivendo uma das melhores experiências de de nossas vidas. É aquela parada, não tem como ficar 100% feliz.
O que aconteceu pra eu falar disso? Bom, acho que me conheço o suficiente para encarar de frente alguns problemas que eu tenho. Não é a primeira vez que eu estou num lugar foda, com oportunidades incríveis, e me fecho, me isolo e só quero que tudo acabe. Lembro de pelo menos mais umas três oportunidades onde isso aconteceu. E passou.
Assim como o sentimento de tristeza que me abateu no dia que fui comprar meu violão, essa coisa que me domina às vezes passa. Mas dessa vez ela vem e volta. Estou expondo esse problema porque toda vez que alguém me pergunta se eu estou feliz eu penso em tudo isso antes de responder. Não posso negar que metade das conquistas que eu queria realizar já estão feitas, nem que não estou me divertindo trabalhando na montanha. Entretanto, tem outras coisas que parecem pesar pra mim.
Ainda me sinto um estranho no ninho. Depois de quase um mês e meio a sensação que tenho é de ser descartável a maioria das pessoas que estão aqui. Ah, se eu estiver numa festa tudo bem, se eu não tiver não fez falta. Mais uma vez eu digo que exponho tudo isso porque preciso encarar de frente o problema. Não posso me isolar numa concha, sem ninguém pra estar ao meu lado, e deixar a vida aqui em Windham passar.
As pessoas tem se dado bem, tem saído juntas, e a falta de tudo isso me incomoda. Eu nunca fui o cara mais popular (a faculdade e o colégio estão aí para provar isso), mas sempre tive amigos que não esqueciam de mim. E agora? Quem aqui sempre lembra de mim? É foda não ser o pegador, o bebedor, o animador de festa, o engraçado... Eu sou eu, e isso às vezes parece não bastar para fazer amigos.
Tá, o problema sou eu? Pode ser que sim. Pode ser que não. Antes de tudo, não quero que ninguém pense que estou deprimido, só estou analisando os fatos. Tirando tudo isso de se sentir à vontade ou não, o que acontece comigo, também, é que quando algo não sai como planejei, eu simplesmente desisto, fico puto, e não aproveito o resto do dia, da festa, da noite, de seja lá o que for. Parece que eu ainda não aprendi a lidar com as frustrações que a vida coloca em meu caminho, com os muitos 'nãos' que já recebi e que morro de medo de levar mais adiante.
Eu não me jogo. Pode ser esse o problema. Tenho mais um mês e meio aqui e a oportunidade de me jogar de cabeça em tudo isso. Parece que eu fiquei com o pensamento no Brasil. Às vezes eu desligo, penso em como é bom estar aqui. Outras eu penso como seria não estar aqui. E isso me machuca. E isso não faz bem pra mim.
Se eu sei o que me faz bem e o que não faz, por que eu simplesmente não evito? Não sei. Isso é parte de uma autodefesa e autodestruição que tenho e que não acrescenta em nada para minhas experiências. Mas acontece, e sei que preciso contornar isso.
Estou dentro do ônibus, indo pra Albany, para finalmente comprar meu violão. Nesses ultimos dias eu tenho que agradecer demais aos esforços que minha mãe fez para descobrir todos os motivos da recusa da semana passada, e como ela me deu força. Meu pai também, paItrocinador, que sempre quando ligo bate um papo gostoso. Saudades das duas pessoas mais importantes da minha vida.
Essa coisa de força é realmente muito complicado. Apenas umas quatro pessoas aqui em Windham me deram força quando eu disse que queria o violão, os meus motivos, os porquês... O resto só soube torcer o nariz, dizer que eu sou maluco, e tenho certeza, não vão querer nem ouvir a viola. Mas, tudo bem, vai fazer bem pra mim.
Não quero ninguém sentindo pena, angústia, preocupação... Eu sei me virar, sei o que devo fazer pra sair dessa situação, e com certeza a maré vai virar. Precisa. Só queria dividir um problema meu que quase ninguém sabia. Na falta de um psicólogo, esse blog faz as vezes de divã.
E eu estou relaxando...
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