sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Anjos

Deus às vezes se disfarça de humano e vem à Terra nos testar.

Acordei hoje feliz. Depois de uma night bem fraquinha em Hunter com a turma que fala enrolado, hoje era o grande dia de ir a Albany e comprar meu tão sonhado violão. Peguei o ônibus na Gas Station nove da manhã e parti em direção ao meu destino. O busão sai de Windham e  vai a Kingston, não sei porque (já que a porra da cidade é far far away do destino final), e de lá eu pego outro para Albany. Deu certo. O schedule do ônibus bateu certinho e eu pude chegar na capital do estado de Nova Iorque.

Chegando eu fui dando meu jeitinho. Queria ir ao shopping para conhecer o tão famoso Crossgates Mall. Peguei um ônibus que me deixou no Centro da cidade. Aliás, que lugarzinho feio. Prédios feios, gente feia e carros feios. Tá, pode ter toda sua importância histórica, mas a primeira impressão que me deram foi uma gorda sendo mal-educada comigo quando eu perguntei se o ônibus para Windham de noite poderia sofrer algum tipo de atraso devido a condições climáticas.

Chegando no shops fiquei impressionado com o tamanho da Macy's. Meu Deus, que loja gigantesca! Estava correndo atrás de outro casaco, mas resolvi dar uma volta pelo estabelecimento (o shopping). Ficava toda hora olhando para o relógio para saber que horas seria bom ir para a Guitar Center e ver minha viola. Acabou que comprei algumas coisinhas para mim e quando achei bom fui em direção a Music Store.

PEguei outro ônibus. A passagem de bus aqui é 1,5 dólar. De boa. 3 Dólares para ir ao shopping e para a GC. Quando cheguei lá fiquei bobo de novo. A maior quantidade de guitarras que eu já vi na vida dentro da uma loja. Lindo Lindo Lindo. Fui conduzido até a sessão de violões elétricos e já cheguei falando com o Tom, um senhor muito simpático que respondeu todas as minhas perguntas e me ouviu tocar até decidir qual viola que eu queria.

Entre um Taylor 314 e um Martin DC16-RGTE, eu preferi o segundo. Por mais que a captação do Taylor seja simplesmente foda, algo me chamava para o Martin. E o vendedor também me ajudou a decidir pelo violão que o Nando Reis toca. Nessa hora eu já rezava para meu cartão de crédito, recusado na ontem no Wal Mart, fosse aceito na loja, aliás, eu vim aqui só para comprar o raio desse pedaço de madeira! =]

É, não passou. A visa parece não aceitar que eu quero comprar coisas para mim e simplesmente bloqueia todas as compras possíveis. Ainda bem que mamãe vai dar um jeito. Conclusão: depois de quase duas horas olhando, tocando e escolhendo um monte de outras coisas, não levei minha tão sonhada viola. Fiquei triste, deu vontade de chorar. Quanto tempo eu passei planejando esse momento, economizando o dinheiro, sonhando e babando enquanto olhava na internet... E algum erro no cartão barrou esse momento.

Pedi um táxi e fui embora. Entrei com uma cara no táxi que o motorista se assustou. Perguntou o que tinha acontecido e eu contei toda a história para ele. Foi aí que eu percebi que não tinha perdido o dia. Ele virou pra mim e disse uma frase que já ouvi outras vezes, mas que necessitamos ouvir sempre para não esquecermos que é assim que a vida é: Tudo acontece na hora que tem que acontecer.

Bob é um senhor de 61 anos que ajudou a construir em Nova Iorque uma mini Las Vegas. Ex-empregado do governo, hoje ele dirige um táxi apenas por prazer, como ele mesmo diz. Quando me viu hoje ele perguntou o por quê de um jovem como eu estar com aquela cara. Contei, mais uma vez, a história e ele veio com a frase que me ajudou a pensar mais sobre isso tudo. Se não era o dia de andar com o violão, tudo bem, o importante é que eu vou te-lo!

Já na estação eu relaxei. Entrei no ônibus e agora aqui estou, tranquilo. Voltar para casa é sempre bom.

Amanhã trabalho, domingo nem sei. Semana que vem é voltar a Albany para pegar a violinha! hahaha

Beijos para todos!
Tudo dará certo!

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