Quase um mês, mas vá lá, quatro dias só faziam realmente muita diferença pra mim quando vinham ou faltavam no pay check.
Estou de volta. E agora? Eu me vi diante dessa pergunta por várias vezes e acho que vou respondendo mais um pouco a cada dia que passa. Foi, é, e continuará sendo difícil a readaptação a esse estilo de vida deixado para trás no ano passado, mas que te acolhe assim que voltamos. Amigos, namorada, família... Todo mundo estava aqui na minha volta. E eu, onde estou?
Se disser que minha cabeça ainda está nos EUA será uma mentira. Voltei com muita vontade e sinto falta, logicamente, dos momentos em que gastava tempo e dinheiro sem me preocupar com o que apareceria no dia seguinte. Em Windham não era assim, tirando os últimos dias de snowboard. Viajar, Disney, Miami, compras... sentir falta disso é fútil, porém mostra que tudo que veio antes é que me deu a oportunidade de desfrutar disso tudo. Agora é hora de ralar de novo, arrumar um estágio e completar as últimas etapas da faculdade.
Voltei com um pensamento diferente, sim. Hoje, depois de passar quatro meses num lugar onde eu tinha que tomar minhas atitudes sem depender dos outros, me sinto mais livre, mais independente. Em até certo ponto. Voltei a ter que contar com um dinheiro que não vem dos meus próprios esforços e sei que devo mudar um pouco isso. Entretanto, começo a realizar as coisas que eu quero a partir das minhas vontades sem ter que alguém me acompanhar. Fiquei mais individualista, sim, mas sem nunca deixar de apreciar os momentos em coletivo.
Isso já se refletiu em escolhas como minha próxima viagem a Salvador, meus ingressos pro Rock in Rio... por que? Porque eu decido ir com quem estiver afim de ir, ou até mesmo sem dizer para as pessoas que eu quero que estejam lá só pra adiantar a minha vida mesmo. Onde era exigido praticidade, hoje não há mais espaço para perda de tempo. Se alguém acha que, sim, eu ainda perco tempo, talvez seja porque meu modo de vista não seja igual ao seu, ou as coisas que deveriam estar sendo prioridades para os outros não são para mim. Hora de caminhar ao meu lado quem está caminhando também e não apenas olhando os meus atos.
Contudo, há mais coisas. MInha faculdade pegou fogo, as pessoas não deixaram de estudar, e eu não deixei de trancar matérias por causa disso. Esse período eu não estou sendo vagabundo, apenas tive de me adaptar as quatro semanas de aula que perdi. Ter três matérias é reflexo de que eu estava fazendo algo bom para mim, sem comparações com os estudos. Estudos são tão importantes quanto bagagem cultural, e isso ninguém tira. Mas antes de apontar o dedo e dizer que eu sou um relaxado, modere as palavras: Stephanie virou minha inspiração para discussões.
Das coisas que eu reclamava quando estava longe, posso dizer que já pensei em todas. A que mais me angustiava, que eram as escolhas quando estava com meu pai, posso dizer que já sei administrar melhor. Ele continua pedindo para eu aparecer mais, eu tento aparecer mais, mas é fato que quanto mais se aparece mais se quer uma pessoa por perto. Nesse aspecto ninguém tem culpa, apenas obrigações que impedem de estar sempre em dia com o contato. Mas sem esquecer que 'se ver' é uma via de mão dupla e não é necessário que apenas uma parte se desloque sempre. Assim, Pai, pode me visitar na UFRJ quando você quiser. Mesmo nos dias em que de tarde eu tenho que estudar ou fazer outras atividades, eu estarei de manhã na Praia Vermelha e nada impede que a gente se encontre por lá mesmo e bote a conversa em dia. Mas desculpa se eu não apareço tanto quanto você gostaria.
Aos amigos de Windham, que estiveram aqui na Semana Santa, quero dizer que nossa amizade é eterna, e que ainda vmaos viver muitos bons momentos juntos. Pelo menos Salvador taí, né, Betão! Encontrar Tarsila e Carina também vai ser bem legal. Partiu, Nilo! A terrinha que nos espere.
Aqui em casa as coisas não andaram. Continuam as mesmas desde que eu me fui. Espero poder ser mais participativo e ajudar mais a minha mãe no que for possível. Cuidar da minha vó tem sido bem duro pra ela, e como eu queria que minha mãe pudesse descansar mais, aproveitar mais a vida dela. Arruma um namorado, Dona Virgínia! E Conta comigo, mãe, pra aprender inglês. Não desista! É algo que você vai conquistar e essa conquista é sua. Estarei sempre do seu lado.
A família continua a mesma. São os Lacombe com suas histórias de sempre, problemas de sempre, risos de sempre... E assim a vida vai. Tanto vai que Larissa tá indo. Lálá, a prima mais querida dentre as que já estão formadas, tá indo pro México. Valeu, diplomata! Vai que o mundo é seu!
E quem sabe o mundo não vira o meu também? Ainda no meio do caminho entre decidir o que fazer, a comunicação ainda não me apresentou uma oportunidade de entrar de vez no mercado. A música continua me seduzindo, mas não está havendo muito tempo para realizar, apenas sonhar, já que sonhar a gente pode fazer em apenas um segundo, não? Tempo ao tempo, que tudo se ajeita.
Nesse mês aqui já deu tempo de me indignar com a miséria do Rio, os problemas do Rio, a falta de quase tudo no Rio. Mas a gente ama essa cidade, e eu, que tanto escrevi que estava voltando de braços abertos, ainda estou. Quem sabe um dia não melhora?
Sem muito mais o que falar, com muita coisa ainda para viver, é hora de encerrar a aventura do The Brazilian Snowmaker. O blog que me acompanhou por tanto tempo vai ficar aqui, na web, mas sem mais atualizações. Enrolei para escrever este post porque queria ver como estava sendo a adaptação e poder escrever sobre o que eu estou vivendo e como eu estou vendo tudo isso aqui.
O que escrevi me ajudou, me motivou e me ensinou. Deixei impressos sentimentos que serão eternos e que me fizeram melhorar um pouco mais como homem e aprender um pouco mais com a mestra: a Vida. É hora de desligar as máquinas e mostrar ao mundo que eu apenas aprendi, mas como saberei usar tudo isso a meu favor e a favor de tudo que de bom me cerca. Hora de viver, hora de crescer junto com quem quer me ver crescer e/ou crescer comigo. Hora de deixar de ser o Brasileiro-Fazedor-de-neve e ser eu mesmo, que eu nunca deixei de ser em Windham.
Entretanto, aqui no Brasil, sem fazer neve, longe de toda a cultura estadunidense, é hora de voltar a ser mais um brasileiro no meio de tantos outros. E buscar o meu lugar ao Sol. E querer mais. E não se contentar com pouco. E sorrir mais, e viver mais, e tocar mais, e chorar mais. Queria muito voltar a fazer a neve, mas agora só há uma coisa a fazer: a minha própria história.
Família, pessoas amadas, e companheiros de jornada que deixei pela vida, o show tem que continuar.
Gustavo Lacombe Sant'Ana,
simplesmente eu.