Time to come back home.
Gustavo,
Você cresceu, você mostrou para si mesmo que podia, que deveria seguir em frente, que não era hora de desistir quando se lutou tanto para chegar tão longe, provou para quem não acreditava que você é mais você porque não precisa de mais nada a não ser determinação. Você chorou, sorriu, lutou, conquistou, perdeu, ansiou, detestou, amou, snowboardiou, sweepou, mopou... Você viveu. E tá na hora de continuar vivendo.
Vem pro mundo real, Gustavo!
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Textos do Bial à parte, parceiro, o momento chegou. Se eu já tinha sonhado com o momento em que escreveria na última noite em solo Americano, posso dizer que já esperava mais do que ansiosamente por esse que agora vivo: a expectativa de voltar ao Brasil e rever tudo que deixei. E que me esperou. E que seguiu. E que tá lá, de um jeito ou de outro, no mesmo lugar chamado Rio de Janeiro.
Tive a oportunidade de conviver com pessoas maravilhosas, conhecer outras tantas, e tudo isso já foi devidamente reportado aqui neste diário eletrônico. Porém, mais uma vez, quero deixar impresso meu Muitíssimo Obrigado a todos aqueles que fizeram parte dessa jornada. Sem vocês não teria sido perfeito, não teria sido do jeito que foi, do jeito que deveria ter sido.
Citando todos os brasileiros de Windham em uma única palavra, irmãos, mais uma vez agradeço por todas as broncas, os abraços, os beijos, as conversas, as brigas. Se foi difícil o começo, minha volta por cima não teria sido possível sem tê-los ao meu lado. Sei que nos veremos em breve, mas a saudade das noites na montanha ficarão para sempre. Construiremos outros episódios marcantes, mas como aqueles, não haverão, porque serão únicos.
Aos estrangeiros que tornaram a experiência mais rica e
rica (gostosa, em espanhol), pela enésima vez demonstro aqui toda minha gratidão pelo que vivenciei ao lado de cada um. Se hoje me sinto confiante para abrir a boca e falar em inglês ou arriscar um portunhol, foi porque vocês me deram o que era preciso: alguém pra conversar. Aos que conviveram em Windham comigo e aos que passaram durante as minhas viagens pelos EUA, meu muito obrigado.
Aos amigos que fiz em situações pós-intercâmbio, mais uma vez gostaria de enaltecer como foi bom conhecer vocês. Se meus amigos de Windham faziam isso aqui ferver, vocês ajudaram a estourar a tampa da panela. Se meus dias aqui pegaram fogo, certamente em alguns deles foi porque vocês ajudaram e muito.
Aos parentes que me receberam, Ci e Tê, filhos e maridos, mais uma vez queria dizer que sem a hospitalidade de vocês não haveria viagem para Boston e Miami. Sem vocês não estaria nesse aeroporto com tantos dias na bagagem e tantas histórias mais para serem levadas para casa.
A todos que estão me esperando no Brasil: chegou a hora!
Valeu, galera, sem tudo isso não teria sido perfeito pra mim.
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Sinto falta de acordar e ficar chateado em ter que ir trabalhar. Queria mesmo era ir fazer um snowboard bem feito, descer a Why Not, a Wolverine ou a Wedel. Mas, vá lá, tava ganhando 8 a hora para poder comprar minhas coisas da Lacoste, né Wagner? E pra isso, só lavando muita escada, né Betão? Deixa o snowboard com o Nilo, Pretto, Lucas, Rafael e Gulherme pra depois.
Aliás, quando ainda fazia neve lembro de reclamar muitas coisas pro Nilo e pro Pretto. E eles me aturaram muito. E em casa ainda tinha que aturar o Bruno. Mas até que ele não fazia tanta bagunça no banheiro quando o Diego. Se a Beck foi aquela zona, só comecei a realmente me tranquilizar quando descobriram que tínhamos 3 geladeiras, não apenas 2 para 25 pessoas. E o Renzo até que administrou bem nossa casinha.
Sinto falta da Cottage com a Ka Yan, o Hugo, a Yasmin, a Tarsila fazendo caras e bocas, a Carina dançando arrocha comigo, a Karol, o Andrew, e os outros já citados. E a Mariana, que não teria formado o casal mais louco que eu já vi na vida com o Rafa. Valeu muito a pena cada cerveja que tomei por lá.
Sinto falta de chegar na montanha e ter que olhar pro Josh esperando ordens nas trilhas na qual desceria, ou escutar a Queen of Clean dizer "shit job". Era engraçado ao menos. Não sinto falta, apenas, de ter que decifrar se a Stephanie estava de bom ou mal humor para poder pedir, perguntar, reclamar, qualquer coisa.
Queria mesmo era ter levado a Maya embora comigo. A mulher mais santa que eu já conheci (e que todos sabemos seu segredo para ser tão gentil) é a secretária perfeita. Todo problema que tive ela me ajudou a resolver, a entender, a não se aborrecer. Isso é um anjo disfarçado de pessoa, brother!
Estranho não ter que pegar um shuttle pra qualquer lugar. Nem que seja pra um parque da Disney! Ah, como eu fui feliz lá! Virei criança de novo por 5 dias que valeram muito. E sem falar de NYC com a mamãe ou com a Família Carter, que viverá para sempre. Depois Boston e Miami. O raspo do tacho foi SENSACIONAL! E sem querer esquecer nenhuma viagem, Washington foi apaixonante e Albany foi produtivo (meus violões vieram de lá, né!). Viajei muito, e se Woodbury contar, queria pedir minha alma de volta, porque o primeiro pedaço dela eu deixei lá depois de gastar aos tubos!
Vai ser difícil voltar, vai bater aquela deprê, vou querer pegar o primeiro voo para tudo que aconteceu, mas já não dá, e nunca daria. Nem se tivesse uma máquina do tempo eu voltaria. Se ficar melhor estraga, se tirar macula. Deixa do jeito que tá, porque foi bom. Foi maravilhoso. E chegou ao fim, como tudo na vida.
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O que fazer com o blog? Me perguntei isso mais umas vinte milhões de vezes, e fico triste com a constatação de que esse pode ser o último post. Aliás, eu tenho que escrever como foi voltar para casa. YES! Ainda há vida pós-States. E nesse próximo post espero não estar tão saudosista. Vai ser hora de rever meu quarto! Aeee. Como eu sinto falta daquele cantinho.
Esse espaço aqui ficará aberto a visitação. Será um lugar para lembrar de tudo: como foi, como era, como seria se não fosse não vale. Vai ser meu templo. Vai ser um lugar para recordar. Vai ser um pedaço de mim que compartilhei com tantas pessoas e que tantas mais retribuíram com o simples gesto da leitura. Esse lugar vai ser quatro meses (verbo no singular porque o sujeito está no singular) da minha vida. E não foi pouco.
Se já agradeci a tantos por terem passado por minha vida durante esse período, queria agradecer a todos, como já comecei no último parágrafo, que leram minhas aventuras. Se não houvessem leitores, não haveria escritor. Muito obrigado pela leitura do blog. The Brazilian Snowmaker me ajudou a contar meu dia-a-dia, meus problemas, minhas inseguranças, minhas conquistas, meus desejos, meu eu. Me ajudou, mais do que tudo. E por isso me orgulho tanto de ser o dono desse blog.
Faltando apenas alguns minutos para embarcar, vai ficando mais do que nunca a sensação de dever cumprido. Hora de abraçar quem me espera e deixar quem me abraçou.
VALEU, VIDA!
É hora de voltar.
Gustavo Lacombe Sant'Ana,
The Brazilian Snowmaker.