Sou o mais novo aluno do Sebrae.
Tá, é mentira, mas bem que poderia ser verdade. Se no Sebrae você aprende uma profissão em tempo recorde e já pode pensar em ganhar dinheiro com ela, aqui em Windham eu posso afirmar que eu estou virando um especialista em diversas funções, e por isso, tenho consigo manter no paycheck o leitinho das crianças no meu Brasil.
Depois de três semanas me dividindo entre o Snowmaker e o Lodge Maintenance guy, agora eu estou apto a seguir na profissão de Lift Operator. O que aconteceu é que, como já dito em posts anteriores, eu não estou fazendo neve porque Papai do céu deu aquela folga, e acabou me jogando direto no lift D, um dos mais maneiros (conheço dois) da montanha. Ontem eu fiquei no C, controlando a multidão que aproveitava a véspera de feriado para deslizar na encosta do nosso singelo morro.
Hoje, depois de dormir umas poucas horas (ontem eu também trabalhei como Lodge), cheguei e fui mandado ao já citado D, onde arrumei a rampa, as filas, chequei os tickets, operei os botões da máquina e curti alguns breaks depois de longos minutos me divertindo com as pessoas que às vezes entendiam meu inglês, às vezes riam do meu francês (aprendi umas poucas frases só pra tirar uma onda), mas que no final cooperaram e fizeram o meu dia ser mais tranquilo. O detalhe mais legal é que lá tem uma caixinha de som que a gente coloca o celular e pode se entreter ouvindo uma musiquinha.
Agora, a coisa mais legal que aconteceu hoje foi que eu descobri que a letra da música do Cartola poderia ser trocada para, ao invés de "moinho", "cu...ia". O mundo é uma cuia. Tinha um brasileiro, de São Paulo, que reconheceu meu sobrenome e perguntou se eu era parente de alguma Laura que tinha um hotel. Cara, eu não sei, sinceramente, mas eu já ouvi esse nome em algum lugar e disse que sim. O mundo é muito pequeno, amigo.
Se eu gostei do trabalho? Sim, por que não? Não é um trabalho muito difícil, mas nem por causa disso passa a ser desimportante ou algo que o valha. É preciso prestas bastante atenção nos tickets dos usuários do "morro", é preciso saber lidar com o público, lidar com a máquina que escaneia, a máquina que opera o lift e ficar atento às pessoas (que muitas das vezes podem ser comparadas à portas), porque elas podem cair, seus skis caírem, suas peças de roupa também, etc.
No fim do dia fui informado de que, provavelmente, essa será minha nova casa. Adeus lanches na Ski Patrol, adeus Age of Empires 2 no topo East, adeus outras coisas... Bem -vindo Lift D. Me larguem lá, por favor. Mas como nem tudo é como a gente quer, muito provavelmente ainda rodarei pelos outros 6 lifts que temos a nossa disposição.
Detalhe, esse post vai especialmente pro Hugo, que pediu pra eu contar o que eu achei de ser lift. So Far So Good, garotão.
Essa semana parece que será bem agitada. Tem festa hoje, amanhã, quarta, e quinta eu vou tirar meu Social Security. Além disso, devo ir a Albany na sexta. Ê maravilha. Só espero, seriamente, que o frio de hoje de manhã não se repita. Para aqueles que acham que está algo em torno de 0˚, ledo engano. Hoje bateu a casa de -20˚. Segundo uma fonte de penetração intensa com as previsøes do tempo, bateu -26. Foda.
De resto tá tudo beleza. Finalmente parece que meu celular engrenou e agora eu consigo extrair seu potencial. Até fazer ligação ele já faz. A comida não tá faltando, o trabalho também não. Só felicidade, irmão. Agora deixa eu ir lá porque vai ter um campeonato de FIFA 11 no PlayStation 3 que o Nilo comprou.
Abraços, beijos e beijundas para todos,
Gustavo Lacombe,
(ex?) Brazilian Snowmaker / Lodge Maintenance / Lift Operator
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