2011 chegou e me pegou trabalhando.
É isso mesmo. Passei trabalhando durante o reveillon. Foi bom? Não sei... vou tomar banho e vou para lá e depois digo aqui como realmente foi. Mas a promessa é de muito work e some diversão. Tudo bem. Já estou aqui sem meus amigos, meus familiares e as pessoas que realmente importam, então é 'de boa' passar o ano novo ganhando mais alguns trocados.
Tem gente que me chamou de maluco. O tempo é meu e eu gasto como eu quero. Num sub-job? Pode ser. Trabalhar de Lodge Maintenance não é a melhor coisa do mundo, mas te dá outra visão da vida. É muito fácil sjar as coisas, largar o lixo, emporcalhar o banheiro, quando não é você que limpa. É mais ou menos a história de quando dói no bolso e que a gente aprende a realmente dar valor as coisas. Acho que é por aí.
Eu vejo tanta comida no lixo e às vezes to com tanta fome... Mas é o desperdício americano. É assim aqui. Mas essa visão que muita gente tem de um povo alienado talvez exista porque a grande massa pode ser assim. Eu não conversei com um americano alienado até agora (ufa!), e posso dizer que alguns tem posições bem radicadas perante aos seus modelos societários.
E eles trabalham duro. Corpo mole existe, sim, mas muitas das vezes eles preferem não ter um day-off e ganhar mais. É bem verdade que a gente não trabalha com pessoas muito bem socialmente, mas também é outra verdade que muitas delas tem carro, comida e emprego, e isso já é muita coisa. Entre as pessoas que vem esquiar, podemos encontrar gente rica. Essas, sim, estão aqui a passeio.
Fico louco com os carros. Sempre que estou indo ou voltanod vejo aqueles enormes carros beberrões americanos que lotam as ruas e estradas. Muito lindos. E é legal porque a galera que vem para a montanha várias vezes nos elogia. Eles tem seus carrões e educação (que bom!). Outro dia não estávamos limpando uma máquina quando um enhor parou e começou a elogiar nosso trabalho dizendo que a neve da montanha estava realmente muito boa. Gratificante.
Mudando de assunto, ontem eu fui no Wal Mart. Eu precisava de suco e leite. Comprei muito mais coisa do que isso. Mas foi bom, porque agora eu tenho certeza de que eu não preciso voltar ao mercado tão cedo. Só daqui a umas duas semanas eu espero. Minha gaveta tá abarrotada de barrinha de cereal, cereal, nesquik, chocolate, biscoito, miojo e outras coisas.
Eu de vez em quando me pego pensando se eu não estou comendo mal. É difícil comer igual no Brasil, mas não to comendo tão mal assim. É um pouquinho mal. malzinho. Mas to segurando a onda. É bom ir ao mercado, ver as coisas, comprar... É um saco, também, eu admito. Mãe, você é guerreira indo umas quatro vezes ao mercado por semana.
De resto? tá tudo ótimo. Só a saudade, que aumenta a cada dia que passa. Espero que todos tenham um Ano Novo FODA... opa... Fucking Great! =]
Estou longe mas estarei pensando em todos vocês quando o relógio marcar meia noite.
Um beijo e um abraço,
Gustavo Lacombe
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Primeiro Pay-check
Gratificante.
Assim que me sinto depois de receber o primeiro pay-check aqui em Windham. Foram duas semanas de pura ralacao, momentos bem dificeis, mas eu venci. A primeira etapa, quero deixar bem claro. Todo mundo tambem pegou seus respectivos contra-cheques, alguns ficaram frustados, outros bem felizes. Eu, pelo menos, estou bem feliz com o resultado disso tudo.
Mas nao sei como sera o proximo. A gente fez muito poucas horas nessa ultima semana e a promessa é de que as proximas duas semanas sejam de pay-checks fracos. Mas é so o comeco da temporada. Ainda temos tres meses para juntarmos dinheiro e aproveitarmos aqui. O importante é aproveitar cada momento como se fosse unico. Essa é a chave.
Hoje, finalmente, voltamos a trabalhar. Depois de CINCO dias em casa (jah nao aguentava mais olhar para a cara das mesmas pessoas em casa) eu ja comecava a me perguntar sobre o verdadeiro sentido de estar aqui. Talvez a resposta seja a mesma: testar todos os limites possiveis entre trabalhar muito e ficar muito tempo sem fazer nada. Sao extremos, sao pecas fundamentais nessa aventura.
E o trabalho foi puxado. Um dos piores? dias de trabalho de todos os que eu ja tive aqui. Nao que eu tenha me machucado ou algo assim, o que pegou foi ter que cavar o dia inteiro, durante umas 5 horas, e realmente chegar a conclusao de que cada dia de trabalho equivale a uns 3 de academia. Sao 8 da noite e com certeza eu dormiria para acordar apenas amanha. Mas como eu nao trabalho amanha, melhor tentar ficar acordado e acordar tarde amanha.
Ah! Vou trabalhar no ano novo. Pedi para trabalhar, fui liberado e arrumei um emprego de lodge maintenance na virada. Fui criticado? Sim, porque ninguem consegue ficar sem dizer algo. Como um amigo daqui, que comprou uma prancha de snowboard e agora todo mundo diz pra ele que ele rasgou dinheiro fazendo isso. Nao é o dinheiro dele? é. Entao pronto.
Tentei comprar meu computador pela internet, mas deu trabalho. Vou esperar pra comprar na loja mesmo e sair com ele na mao. Fico sem esperar o produto chegar e ainda tenho a oportunidade de ver o que eu estou comprando. Nao que eu nao saiba, mas é diferente.
Amanha eu vou no Wal Mart. Estou precisando de pouca coisa, mas pelo menos garante uma parte da minha diversao diaria de fazer alguma coisa. Tenho que comprar umas besteiras como leite, suco, chocolates em geral... acho que so. Mas eu to afim de ir, a galera que vai é maneira e vai ser legal. A nao ser que o snowboard me seduza e eu resolva ficar aqui treinando.
Treinar é a palavra. Tentei ontem durante quase uma hora mas nao consegui nem ficar em pe. Desisti por ontem, mas ainda tenho forca de tentar aprender na temporada. Tenho que sair daqui pelo menos skiando numa azul! Double Black Diamond so mesmo na bota, e trabalhando.
Tres dias depois de escrever meu ultimo post, contrariando minha vontade de escrever um post por dia, espero que tenha falado um pouco mais da rotina e tenha tranquilizado minha mae, que fica me cobrando a atualizacao disso aqui.
Espero que estejam acompanhando e gostando da minha experiencia, porque eu to adorando.
Um beijao e um abraco para todos!
Gustavo Lacombe
ps: estou escrevendo num computador de um amigo com o teclado todo em ingles. Se faltaram acentos, me desculpem, mas a gente se vira com o que a gente tem.
Assim que me sinto depois de receber o primeiro pay-check aqui em Windham. Foram duas semanas de pura ralacao, momentos bem dificeis, mas eu venci. A primeira etapa, quero deixar bem claro. Todo mundo tambem pegou seus respectivos contra-cheques, alguns ficaram frustados, outros bem felizes. Eu, pelo menos, estou bem feliz com o resultado disso tudo.
Mas nao sei como sera o proximo. A gente fez muito poucas horas nessa ultima semana e a promessa é de que as proximas duas semanas sejam de pay-checks fracos. Mas é so o comeco da temporada. Ainda temos tres meses para juntarmos dinheiro e aproveitarmos aqui. O importante é aproveitar cada momento como se fosse unico. Essa é a chave.
Hoje, finalmente, voltamos a trabalhar. Depois de CINCO dias em casa (jah nao aguentava mais olhar para a cara das mesmas pessoas em casa) eu ja comecava a me perguntar sobre o verdadeiro sentido de estar aqui. Talvez a resposta seja a mesma: testar todos os limites possiveis entre trabalhar muito e ficar muito tempo sem fazer nada. Sao extremos, sao pecas fundamentais nessa aventura.
E o trabalho foi puxado. Um dos piores? dias de trabalho de todos os que eu ja tive aqui. Nao que eu tenha me machucado ou algo assim, o que pegou foi ter que cavar o dia inteiro, durante umas 5 horas, e realmente chegar a conclusao de que cada dia de trabalho equivale a uns 3 de academia. Sao 8 da noite e com certeza eu dormiria para acordar apenas amanha. Mas como eu nao trabalho amanha, melhor tentar ficar acordado e acordar tarde amanha.
Ah! Vou trabalhar no ano novo. Pedi para trabalhar, fui liberado e arrumei um emprego de lodge maintenance na virada. Fui criticado? Sim, porque ninguem consegue ficar sem dizer algo. Como um amigo daqui, que comprou uma prancha de snowboard e agora todo mundo diz pra ele que ele rasgou dinheiro fazendo isso. Nao é o dinheiro dele? é. Entao pronto.
Tentei comprar meu computador pela internet, mas deu trabalho. Vou esperar pra comprar na loja mesmo e sair com ele na mao. Fico sem esperar o produto chegar e ainda tenho a oportunidade de ver o que eu estou comprando. Nao que eu nao saiba, mas é diferente.
Amanha eu vou no Wal Mart. Estou precisando de pouca coisa, mas pelo menos garante uma parte da minha diversao diaria de fazer alguma coisa. Tenho que comprar umas besteiras como leite, suco, chocolates em geral... acho que so. Mas eu to afim de ir, a galera que vai é maneira e vai ser legal. A nao ser que o snowboard me seduza e eu resolva ficar aqui treinando.
Treinar é a palavra. Tentei ontem durante quase uma hora mas nao consegui nem ficar em pe. Desisti por ontem, mas ainda tenho forca de tentar aprender na temporada. Tenho que sair daqui pelo menos skiando numa azul! Double Black Diamond so mesmo na bota, e trabalhando.
Tres dias depois de escrever meu ultimo post, contrariando minha vontade de escrever um post por dia, espero que tenha falado um pouco mais da rotina e tenha tranquilizado minha mae, que fica me cobrando a atualizacao disso aqui.
Espero que estejam acompanhando e gostando da minha experiencia, porque eu to adorando.
Um beijao e um abraco para todos!
Gustavo Lacombe
ps: estou escrevendo num computador de um amigo com o teclado todo em ingles. Se faltaram acentos, me desculpem, mas a gente se vira com o que a gente tem.
domingo, 26 de dezembro de 2010
Atualizando automaticamente
Mais um day-off
A verdade é que fica chato ficar em casa sem fazer nada. A gente fica comendo, vendo TV, ouvindo musica... e mais nada... To fazendo um refresh aqui só para a galera saber que tá tudo bem. Nada de muito novo pra contar.
To morrendo de saudades...
Um post por dia! AE!
Mae, to bem, tá?
Gus
A verdade é que fica chato ficar em casa sem fazer nada. A gente fica comendo, vendo TV, ouvindo musica... e mais nada... To fazendo um refresh aqui só para a galera saber que tá tudo bem. Nada de muito novo pra contar.
To morrendo de saudades...
Um post por dia! AE!
Mae, to bem, tá?
Gus
sábado, 25 de dezembro de 2010
Alien Christmas
I´m a legal alien.
Para aqueles que não conhecem o termo, alien, em inglês, quer alguém que não pertence a uma certa região. Um forasteiro. Por isso que é usado para nossos irmãos alienígenas. Por isso é que é usado para nós, brasileiros, argentinos, peruanos, chilenos e outros cucarachos que vem para os EUA trabalhar nos empregos que deveriam ser deles. Mas eu não me importo com esse fato de 10% da população deles estar sem emprego. Me importo com as horas que eu tenho que fazer para garantir minha feira da semana que vem. Até aqui, a máxima da "farinha pouca, meu pirão primeiro" tem que ser levada à sério.
A gente estava no trabalho, eu, Nilo, Pretto e Hime, ouvindo um americano falar sobre isso e descobrir que ganha a mesma coisa que a gente. Toda aquela coisa da gente achar que é mão-de-obra barata se tornou uma grande besteira. Pelo menos para os snowmakers. Existem outras posições que os próprios americanos não querem trabalhar, por isso nós saímos de casa para ganhar em dólar. E vamos combinar, passa dessa coisa de trabalhar... Para muitos dos que estão aqui é uma experiência de vida. Viver longe dos pais, trabalhar... tudo isso pode ser muito novo para a maioria daqui. Pra mim inclusive.
Então, entramosno mundinho deles e eles descobrem que o México não é da América do Sul. Nós somos. E antes de você se perguntar de onde isso saiu, um cara no trabalho achava que o México já era integrante da América do Sul. Cara, é por isso que eles se acham "a América" e excluem o Canadá. Tem um copo na cozinha da montanha com o mapa-mundi. Outro dia eu peguei o copo e comecei a colocar todos os nomes e países que eu sabia e listar continentes e mares. Foi engraçado ver a cara de um dos caras para aquele copo todo rabiscado.
Mas alguns não são assim. Esse outro cara que conversou comigo sobre os salários é realmente bem inteligente. A gente conversava sobre o sentido do Natal e discutíamos que, mesmo sendo uma data imposta e não representando o verdadeiro nascimento de Cristo (mas ainda com todo seu significado, lógico), o Natal perdeu seu poder de união entre as pessoas em torno de sentimento, carinho e fraternidade. Hoje tudo gira em torno de presentes e amigos ocultos para entreter. Uma conversa bem profunda.
Aliás, já conversamos sobre vários assuntos durante os breaks. Já falamos de preço de coisas no Brasil e aqui e como as taxas impostas pelo governo podem transformar um produto barato em algo absurdamente caro. Falamos do preço das drogas, e não é que eu saiba porque uso, é porque eu leio. Leio e sei que a cocaína custa MUITO mais do que a maconha. E aqui é assim também. O que não entra na minha cabeça é que num país onde muitos são presos por motivos idiotas, todos portam alguma quantidade de maconha e levam apenas uma multa se são pegos. Quando são pegos.
E isso vai de encontro com toda a política do governo americano de combater o narcotráfico mexicano. São gastos bilhões para desmontar cartéis, mas aqui, parece que os jovens (e muitos adultos, que eram jovens, né?) estão se lixando para tudo isso. Querem mais é acender o seu cachimbo, fazer seu baseado, e correr para o abraço. Ou para a larica, se ela bater.
E a gente vai levando. A própria montanha sabe que não pode testar a galera que trabalha com Snowmaking porque sabe que quase todos fumam. Menos a gente. E eu tenho quase certeza de que eu nunca vou cair num Drug Test. Acho um absurdo, mas fazer o que. No fundo, no fundo, todos eles fumam, mas são muito bons no que fazem. Nenhum dos brasileiros fuma. E eles acham isso um absurdo. Como que um país onde quase todos bebem ninguém fuma? Eu tenho a opinião de que a droga é associada aos traficantes e ao mal que eles fazem. Por isso muita gente nunca tenha experimentado e detesta a droga. Mas só a minha opinião.
Segundo dia de day-off e eu to aqui atualizando o blog só pra dar minha humilde opinião sobre esses assuntos que vieram à tona essa semana. É bom para refletir.
Espero que o Rio de Janeiro continue lindo, porque quando eu voltar não será nem Janeiro, nem Fevereiro, muito menos Março. Mas eu ainda vou ansiar por aquele abraço.
Gus
Para aqueles que não conhecem o termo, alien, em inglês, quer alguém que não pertence a uma certa região. Um forasteiro. Por isso que é usado para nossos irmãos alienígenas. Por isso é que é usado para nós, brasileiros, argentinos, peruanos, chilenos e outros cucarachos que vem para os EUA trabalhar nos empregos que deveriam ser deles. Mas eu não me importo com esse fato de 10% da população deles estar sem emprego. Me importo com as horas que eu tenho que fazer para garantir minha feira da semana que vem. Até aqui, a máxima da "farinha pouca, meu pirão primeiro" tem que ser levada à sério.
A gente estava no trabalho, eu, Nilo, Pretto e Hime, ouvindo um americano falar sobre isso e descobrir que ganha a mesma coisa que a gente. Toda aquela coisa da gente achar que é mão-de-obra barata se tornou uma grande besteira. Pelo menos para os snowmakers. Existem outras posições que os próprios americanos não querem trabalhar, por isso nós saímos de casa para ganhar em dólar. E vamos combinar, passa dessa coisa de trabalhar... Para muitos dos que estão aqui é uma experiência de vida. Viver longe dos pais, trabalhar... tudo isso pode ser muito novo para a maioria daqui. Pra mim inclusive.
Então, entramosno mundinho deles e eles descobrem que o México não é da América do Sul. Nós somos. E antes de você se perguntar de onde isso saiu, um cara no trabalho achava que o México já era integrante da América do Sul. Cara, é por isso que eles se acham "a América" e excluem o Canadá. Tem um copo na cozinha da montanha com o mapa-mundi. Outro dia eu peguei o copo e comecei a colocar todos os nomes e países que eu sabia e listar continentes e mares. Foi engraçado ver a cara de um dos caras para aquele copo todo rabiscado.
Mas alguns não são assim. Esse outro cara que conversou comigo sobre os salários é realmente bem inteligente. A gente conversava sobre o sentido do Natal e discutíamos que, mesmo sendo uma data imposta e não representando o verdadeiro nascimento de Cristo (mas ainda com todo seu significado, lógico), o Natal perdeu seu poder de união entre as pessoas em torno de sentimento, carinho e fraternidade. Hoje tudo gira em torno de presentes e amigos ocultos para entreter. Uma conversa bem profunda.
Aliás, já conversamos sobre vários assuntos durante os breaks. Já falamos de preço de coisas no Brasil e aqui e como as taxas impostas pelo governo podem transformar um produto barato em algo absurdamente caro. Falamos do preço das drogas, e não é que eu saiba porque uso, é porque eu leio. Leio e sei que a cocaína custa MUITO mais do que a maconha. E aqui é assim também. O que não entra na minha cabeça é que num país onde muitos são presos por motivos idiotas, todos portam alguma quantidade de maconha e levam apenas uma multa se são pegos. Quando são pegos.
E isso vai de encontro com toda a política do governo americano de combater o narcotráfico mexicano. São gastos bilhões para desmontar cartéis, mas aqui, parece que os jovens (e muitos adultos, que eram jovens, né?) estão se lixando para tudo isso. Querem mais é acender o seu cachimbo, fazer seu baseado, e correr para o abraço. Ou para a larica, se ela bater.
E a gente vai levando. A própria montanha sabe que não pode testar a galera que trabalha com Snowmaking porque sabe que quase todos fumam. Menos a gente. E eu tenho quase certeza de que eu nunca vou cair num Drug Test. Acho um absurdo, mas fazer o que. No fundo, no fundo, todos eles fumam, mas são muito bons no que fazem. Nenhum dos brasileiros fuma. E eles acham isso um absurdo. Como que um país onde quase todos bebem ninguém fuma? Eu tenho a opinião de que a droga é associada aos traficantes e ao mal que eles fazem. Por isso muita gente nunca tenha experimentado e detesta a droga. Mas só a minha opinião.
Segundo dia de day-off e eu to aqui atualizando o blog só pra dar minha humilde opinião sobre esses assuntos que vieram à tona essa semana. É bom para refletir.
Espero que o Rio de Janeiro continue lindo, porque quando eu voltar não será nem Janeiro, nem Fevereiro, muito menos Março. Mas eu ainda vou ansiar por aquele abraço.
Gus
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Merry Christmas
Day off!
Pela primeira na história eu tenho um day off. Depois de oito dias direto de trabalho vou ficar jiboiando em casa por dois dias. Trabalho? Só no Domingo. Mas quero muito voltar ao trabalho, voltar a ganahr meu dinheiro e ser feliz. Tá muito tranquilo o trabalho. Ontem ficamos quase 8 horas sem fazer nada. Mas as 4 de trabalho foram bem intensas...
Enquanto isso, outras coisas vão acontecendo. Peguei meu Season Pass e agora posso começar a pensar em esquiar. Detalhe: Minha Foto ficou HORROROSA. Mas tudo bem, a moça disse que geral fica. =]
Hoje tem uma ceia de Natal aqui em casa. Não sei se janto com o povo que mora comigo ou vou para a outra casa que só tem brasileiro. Depois vai ter uma festinha, mas a galera trabalha em peso amanhã, então nem deve ser uma GRANDE festa, não.
Para não perder o hábito de ler, estou com o livro do Nelson Motta, Noites Cariocas, e estou adorando. Muito maneiro saber os bastidores da música popular brasileira por alguém que viveu intensamente boa parte de sua história presente. Ainda estou em 1969, Simonal ainda nem foi à Copa, falta muito, mas está fantástico o livro.
Estou esperando para comprar meus presentes... Quase me dei um casaco de Natal, mas vou esperar meu paychecks começarem a sair, porque senão eu fico sem dinheiro pra comprar minha feira.
Estou feliz, família. Meu niver tá chegando, e a cada dia que passa falta menos pra eu voltar, e eu gosto mais disso tudo daqui.
Hoje o post foi curto, mas não tem muito mesmo pra falar.
Vou preparar um post pra falar da relação dos americanos com a droga.
Feliz Natal para todos!
Gus
Pela primeira na história eu tenho um day off. Depois de oito dias direto de trabalho vou ficar jiboiando em casa por dois dias. Trabalho? Só no Domingo. Mas quero muito voltar ao trabalho, voltar a ganahr meu dinheiro e ser feliz. Tá muito tranquilo o trabalho. Ontem ficamos quase 8 horas sem fazer nada. Mas as 4 de trabalho foram bem intensas...
Enquanto isso, outras coisas vão acontecendo. Peguei meu Season Pass e agora posso começar a pensar em esquiar. Detalhe: Minha Foto ficou HORROROSA. Mas tudo bem, a moça disse que geral fica. =]
Hoje tem uma ceia de Natal aqui em casa. Não sei se janto com o povo que mora comigo ou vou para a outra casa que só tem brasileiro. Depois vai ter uma festinha, mas a galera trabalha em peso amanhã, então nem deve ser uma GRANDE festa, não.
Para não perder o hábito de ler, estou com o livro do Nelson Motta, Noites Cariocas, e estou adorando. Muito maneiro saber os bastidores da música popular brasileira por alguém que viveu intensamente boa parte de sua história presente. Ainda estou em 1969, Simonal ainda nem foi à Copa, falta muito, mas está fantástico o livro.
Estou esperando para comprar meus presentes... Quase me dei um casaco de Natal, mas vou esperar meu paychecks começarem a sair, porque senão eu fico sem dinheiro pra comprar minha feira.
Estou feliz, família. Meu niver tá chegando, e a cada dia que passa falta menos pra eu voltar, e eu gosto mais disso tudo daqui.
Hoje o post foi curto, mas não tem muito mesmo pra falar.
Vou preparar um post pra falar da relação dos americanos com a droga.
Feliz Natal para todos!
Gus
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Hot Cocoa
Gustavo Lacombe,
Agora que você já sabe que gosta do chocolate quente do trabalho, você deveria levar um lanche, não?
É, amigos, eu gosto daquela água com gosto de chocolate que eles chamam de Hot Cocoa. Depois de uma ou duas descidas e, se depender, entre a terceira e a quarta, sempre me veem com um copinho na mão, mexendo uma colher e bebendo algo quente. Delicioso Chocolate quente de cada turno de trabalho. Pra mim, que sempre deixo minha mochila na base da montanha, tenho que ficar procurando coisas na cozinha... Acho melhor parar com esse habito estupido e levar minha mochila. Só colocar as coisas numa sacola plástica pra não molhar.
Ontem, 22 pra 23, o trabalho foi ridiculamente fácil. Tirando o fato de que, mais uma vez, eu carreguei a porra da tocha, foi só andar numa das maiores trilhas da montanha. Bom para minhas pernas. Acho que já perdi peso desde que cheguei. O fato de não estar malhando ajuda e muito nesse processo. Não tenho comido pouco porque o frio tem me feito comer menos. Mas no trabalho eu sempre vejo a galera comendo tanto que às vezes sinto fome só de olhar.
Cheguei a conclusão de que os americanos demoram a crescer. Mesmo que tenham filhos cedo ou coisas do tipo, só aqueles que saem de casa para trabalhar é que parecem mais centrados, atenciosos e amigos. Eles ficam fazendo umas brincadeiras idiotas com todo mundo e com a gente, que eles não conhecem. Talvez seja a hora deles saberem que estamos aqui trabalhando, e não queremos participar dessas brincadeiras idiotas. Quer saber, da próxima vez é gritar: Vai Fumar Maconha, Filha da Puta!
Porque todos eles fumam.
Devo trabalhar dia 25. Natal? Isso nao me eprtence mais. Pelo menos até ano que vem. Depois que botei na cabeça que o dinheiro tá vindo aí, fico até triste quando eu tenho day-off. Sei que vou precisar descansar, mas não agora, que eles precisam da gente. Deixa pra descansar quando a temporada tiver no fim. Faltam 7 dias para o pay check!
Meu aniverário e ano novo? Queria muito ir para NYC. Mas quem disse que querer é poder? No fim da temporada eu poderei tudo, não agora. Agora eu estou embebido com esse sentimento de me doar 100% ao trabalho e fazer Dolares!
A casa continua a mesma bagunça de sempre. 30 pessoas vivendo numa casa grande, com apenas duas geladeiras e comendo a comida dos outros. =]
Pelo menos até agora ninguém dormiu na minha cama!
Talvez os dias passem a ser muito iguais aqui.
Espero que vocês aguentem meus posts!
Beijos, abraços e saudades,
Gustavo Lacombe
(J)
Agora que você já sabe que gosta do chocolate quente do trabalho, você deveria levar um lanche, não?
É, amigos, eu gosto daquela água com gosto de chocolate que eles chamam de Hot Cocoa. Depois de uma ou duas descidas e, se depender, entre a terceira e a quarta, sempre me veem com um copinho na mão, mexendo uma colher e bebendo algo quente. Delicioso Chocolate quente de cada turno de trabalho. Pra mim, que sempre deixo minha mochila na base da montanha, tenho que ficar procurando coisas na cozinha... Acho melhor parar com esse habito estupido e levar minha mochila. Só colocar as coisas numa sacola plástica pra não molhar.
Ontem, 22 pra 23, o trabalho foi ridiculamente fácil. Tirando o fato de que, mais uma vez, eu carreguei a porra da tocha, foi só andar numa das maiores trilhas da montanha. Bom para minhas pernas. Acho que já perdi peso desde que cheguei. O fato de não estar malhando ajuda e muito nesse processo. Não tenho comido pouco porque o frio tem me feito comer menos. Mas no trabalho eu sempre vejo a galera comendo tanto que às vezes sinto fome só de olhar.
Cheguei a conclusão de que os americanos demoram a crescer. Mesmo que tenham filhos cedo ou coisas do tipo, só aqueles que saem de casa para trabalhar é que parecem mais centrados, atenciosos e amigos. Eles ficam fazendo umas brincadeiras idiotas com todo mundo e com a gente, que eles não conhecem. Talvez seja a hora deles saberem que estamos aqui trabalhando, e não queremos participar dessas brincadeiras idiotas. Quer saber, da próxima vez é gritar: Vai Fumar Maconha, Filha da Puta!
Porque todos eles fumam.
Devo trabalhar dia 25. Natal? Isso nao me eprtence mais. Pelo menos até ano que vem. Depois que botei na cabeça que o dinheiro tá vindo aí, fico até triste quando eu tenho day-off. Sei que vou precisar descansar, mas não agora, que eles precisam da gente. Deixa pra descansar quando a temporada tiver no fim. Faltam 7 dias para o pay check!
Meu aniverário e ano novo? Queria muito ir para NYC. Mas quem disse que querer é poder? No fim da temporada eu poderei tudo, não agora. Agora eu estou embebido com esse sentimento de me doar 100% ao trabalho e fazer Dolares!
A casa continua a mesma bagunça de sempre. 30 pessoas vivendo numa casa grande, com apenas duas geladeiras e comendo a comida dos outros. =]
Pelo menos até agora ninguém dormiu na minha cama!
Talvez os dias passem a ser muito iguais aqui.
Espero que vocês aguentem meus posts!
Beijos, abraços e saudades,
Gustavo Lacombe
(J)
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
The Carrying-Torch Guy
Amigos,
Sou o carregador oficial de torch em Windham. Torch nada mais é do que um tanque de propano com uma mangueira usado para derreter o gelo dentro dos canos das máquinas que fazem neve. Tem dois tamanhos: um deve pesar uns 7,5 kg e o outro uns 10 kg. Carregar nas costas uma coisa dessas não é mole não.
Ontem eu não desci nenhuma Double Black Diamond, mas carreguei a porra do tanque. Fui com outro cara, o Mt, que até dividiu comigo a responsabilidade de leva-la, e o trabalho foi bem tranquilo. Tivemos tempo suficiente de tirar uma soneca. =]
Então, tem dias que eu to puto porque sinto que o cara que tá comigo tá me explorando e deixo ele fazendo o trabalho inteiro sozinho. E ele nao pode reclamar porque eu to do lado dele, olhando, aprendendo e apoiando, mas carregando a porra da tocha. E ontem, basicamente, nosso trabalho foi olhar as máquinas, que nem precisam de muita manutenção. Das 12 horas, a gente deve ter trabalho umas 4.
Mas não pensem que é fácil. As 8 de descanso parecem voar perto das que a gente vai pra labuta. Mas eu to aqui pra isso. Trabalha, safado! Com o passar da temporada as promessas de que esse intervalo de descanso fique bem maior porque a neve começa a tomar conta e a gente não precisa mais se preocupar tanto. Daqui a pouco eu vou virar lift operator ou housekeeping.
Outra coisa chata que aconteceu ontem foi que eu perguntei pra um cara:
- Que horas são?
- Se você quiser embora, pode ir.
- Eu perguntei que horas são não se eu posso ir embora.
- Ah, tá... não sei.
QUE BABACA! JD é um babaca. Já falei pra ele crecer. Ele cresceu e parece que não gosta muito de mim. Mas é isso ae, deixa ele. Tem gente ali que tem que ficar de olho. Tomo mundo fuma maconha, menos uns 2 ou 3... os outros 7 tão sempre esperando um intervalinho pra acender a porra do cachimbo e fumar. Drug Test? só pra gente, se é que isso existe!
Hoje eu não sei se vou ficar no West Side ou East Side da montanha, mas dizem que o Leste é bem mais frio que o outro, e eu só trabalhei nesse outro. Virarei picolé, mas to de boa! Vou completar uma semana de trabalho e 84 horas no paycheck. O ano novo será gordo!
Fui no Wal Mart ontem, fiz compras para as próximas 2 semanas, eu espero. Me permeti comprar algumas besteiras, deixei outras de fora, mas no fim, acho que estou aprendendo a me virar. Lavei minha roupa ontem toda e ela já começou a acumular de novo. Minha mãe sofre, viu. Mas é isso ae. To começando a adorar isso aqui.
To morrendo de saudades de todos. To querendo trabalhar muito mais pra poder chegar no fim da temporada e fazer tudo que eu quero.
Valeu galera,
Gustavo Lacombe Sant´Ana, The Brazilian Snowmaker
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Primeiros Dias
Salve, Salve.
Meu nome é Gustavo. Gustavo Lacombe. Brasileiro do Rio de Janeiro, vim parar em Windham através do programa de intercâmbio da IE (Intercâmbio no Exterior). Fiz a Job Fair junto com outras pessoas que também estão aqui e dividem casa comigo. Dentre todos esses, mais dois foram escolhidos para o mesmo trabalho: Snowmaker. Nós fazemos neve.
Estranho pensar que um brasileiro possa sair do calor de mais de 100º F e vir pra cá passar frio com quase 0º F (uns 20ºC?), mas são essas coisas diferentes que constroem nossas personalidades, são desafios como esses que vão me fazer pensar lá na frente o quanto é bom estar em casa e como não existe nada que se compare com a sua família, seus amigos e as pessoas que você ama.
Eu cheguei aqui na quarta, dia 15, e comecei a trabalhar dia 16. A chegada foi fácil, a viagem foi tranquila, e num primeiro momento nem o frio eu senti direito. Era frio? Sim, mas nem tanto. Conforme a gente foi chegando mais pro norte foi que o frio pegou de vez. E olha que quando eu saí da van para a primeira parada no Wal Mart ainda eram 4 da tarde. E estava MUITO gelado. Essa primeira fase é diferente de tudo. Se você não vai ao supermercado comprar coisas pra você, facilmente se perde num mercado tão grande. Conclusão: Não peguei coisas suficientes para mim.
Chegamos a Windham e fomos falar com a Steph, dos Recursos Humanos, e vi que ficaria na maior casa do resort. A primeira noite foi bem movimentada. Por ser a maior, a Becky´s House (Nome do dono da casa), é a mais populosa. Praticamente uma festa por dia. Apresentado a todos os moradores, fui me instalar no meu quarto. Detalhe, uma cama de casal só pra mim. Achei que por chegar mais tarde acabaria ficando com mais 30 pessoas, mas dei sorte. Muita sorte.
No dia seguinte fomos preencher uma papelada sobre nossas informações, sobre pagamentos e outras cositas más. Fui apresentado ao meu supervisor que me disse que começaria a trabalhar no mesmo dia, quinta. Passei a tarde pensando como seria o trabalho. Todos já tinham feito cara de espanto quando disse que era night shift e que seria snowmaker. Mas a gente ganha mais, a gente trabalha mais, e eu estou aqui pra isso, afinal de contas, é um Work Experience, não um Fun Experience.
Pra resumir os dois primeiros dias: Quase desisti. Não foi fácil. Era tudo muito diferente. O trabalho, o esforço físico (achei que fosse forte o suficiente), a distância, a cobrança... Meus pés começaram a doer por causa da bota, minhas costas começaram a doer por causa das mangueiras que eu tive de carregar morro abaixo. Ah! é sempre assim, a gente pega um lift, sobe ao topo, e desce andando. Isso das 6 da tarde às 6 da manhã. TENSO. Quando o segundo dia chegou ao fim, achei que não conseguiria continuar no emprego.
Acordei no sabado disposto a trocar de emprego. Fui falar com a Steph de novo e ela disse que não poderia fazer nada. Ou eu ia embora de Windham ou ficava como snowmaker. Eu não vim de tão longe pra desistir. Eu estou aqui para vencer. E como disse meu querido pai: "Se você conseguir vencer esses três meses, você vai ter o que quiser na sua vida". E eu ainda quero muita coisa na minha vida.
De tarde eu falei com ele. O grande Cêmio, meu pai, me ajudou com suas palavras de apoio. Chorei o suficiente pra seguir em frente. E fui ao trabalho com a determinação de me dar mais uma chance, e dar uma chance ao trabalho. Não consegui falar com a minha mãe, Virgínia. Tenho certeza de que se tivesse falado teria chorado umas 5 vezes mais. Nesse terceiro dia eu vi que era, sim, capaz de trabalhar nesse tão dificil emprego de fazedor de neve.
Os dias seguintes não foram tão difíceis. A adaptação começou a ser mais rápida. Alguns dos meus co-workers me ajudaram bastante nisso. JV (vou colocar as iniciais porque ainda tem muito para falar) me ajudou muito e também JBoss. Tiveram alguns que perguntaram porque eu não escolhi outro emprego. Mk e Jn disseram que o trabalho era muito pesado para mim, e te outro, o JD, que fica fazendo um monte de brincadeira idiota. Mas segundo um deles, os americanos demorar para crescer. A gente também é assim de vez em quando.
Ontem, o Mk disse que a gente trabalha bem e é por isso que eles "encomendam" brasileiros na temporada de inverno. É engraçado, porque a gente vem pra ajudar, não pra fazer o trabalho duro mesmo, sozinho. A gente recebe menos que todo mundo, e no fundo, estamos aqui encomendados por sermos mão-de-obra bem barata.
Hoje, sexto dia, vou chegar a 72 horas de trabalho e o primeiro pay check virá bem legal. Estou quase totalemnte adaptado, estou gostando do trabalho, e estou feliz. Eles vão ter que me engolir no fim. Quero ficar aqui os três meses que reciso para saber que minha vida é uma luta diária e que minha conquistas repercutirão para sempre na minha personalidade.
Obrigado Cêmio, Virgínia, Juliana, Fernando... nomes soltos, mas que para mim representam o amor, representam o que seres humanos são capazes de fazer pelo outro, do apoio. Amo vocês.
Gustavo Lacombe Sant´Ana, Windham Snowmaker
Meu nome é Gustavo. Gustavo Lacombe. Brasileiro do Rio de Janeiro, vim parar em Windham através do programa de intercâmbio da IE (Intercâmbio no Exterior). Fiz a Job Fair junto com outras pessoas que também estão aqui e dividem casa comigo. Dentre todos esses, mais dois foram escolhidos para o mesmo trabalho: Snowmaker. Nós fazemos neve.
Estranho pensar que um brasileiro possa sair do calor de mais de 100º F e vir pra cá passar frio com quase 0º F (uns 20ºC?), mas são essas coisas diferentes que constroem nossas personalidades, são desafios como esses que vão me fazer pensar lá na frente o quanto é bom estar em casa e como não existe nada que se compare com a sua família, seus amigos e as pessoas que você ama.
Eu cheguei aqui na quarta, dia 15, e comecei a trabalhar dia 16. A chegada foi fácil, a viagem foi tranquila, e num primeiro momento nem o frio eu senti direito. Era frio? Sim, mas nem tanto. Conforme a gente foi chegando mais pro norte foi que o frio pegou de vez. E olha que quando eu saí da van para a primeira parada no Wal Mart ainda eram 4 da tarde. E estava MUITO gelado. Essa primeira fase é diferente de tudo. Se você não vai ao supermercado comprar coisas pra você, facilmente se perde num mercado tão grande. Conclusão: Não peguei coisas suficientes para mim.
Chegamos a Windham e fomos falar com a Steph, dos Recursos Humanos, e vi que ficaria na maior casa do resort. A primeira noite foi bem movimentada. Por ser a maior, a Becky´s House (Nome do dono da casa), é a mais populosa. Praticamente uma festa por dia. Apresentado a todos os moradores, fui me instalar no meu quarto. Detalhe, uma cama de casal só pra mim. Achei que por chegar mais tarde acabaria ficando com mais 30 pessoas, mas dei sorte. Muita sorte.
No dia seguinte fomos preencher uma papelada sobre nossas informações, sobre pagamentos e outras cositas más. Fui apresentado ao meu supervisor que me disse que começaria a trabalhar no mesmo dia, quinta. Passei a tarde pensando como seria o trabalho. Todos já tinham feito cara de espanto quando disse que era night shift e que seria snowmaker. Mas a gente ganha mais, a gente trabalha mais, e eu estou aqui pra isso, afinal de contas, é um Work Experience, não um Fun Experience.
Pra resumir os dois primeiros dias: Quase desisti. Não foi fácil. Era tudo muito diferente. O trabalho, o esforço físico (achei que fosse forte o suficiente), a distância, a cobrança... Meus pés começaram a doer por causa da bota, minhas costas começaram a doer por causa das mangueiras que eu tive de carregar morro abaixo. Ah! é sempre assim, a gente pega um lift, sobe ao topo, e desce andando. Isso das 6 da tarde às 6 da manhã. TENSO. Quando o segundo dia chegou ao fim, achei que não conseguiria continuar no emprego.
Acordei no sabado disposto a trocar de emprego. Fui falar com a Steph de novo e ela disse que não poderia fazer nada. Ou eu ia embora de Windham ou ficava como snowmaker. Eu não vim de tão longe pra desistir. Eu estou aqui para vencer. E como disse meu querido pai: "Se você conseguir vencer esses três meses, você vai ter o que quiser na sua vida". E eu ainda quero muita coisa na minha vida.
De tarde eu falei com ele. O grande Cêmio, meu pai, me ajudou com suas palavras de apoio. Chorei o suficiente pra seguir em frente. E fui ao trabalho com a determinação de me dar mais uma chance, e dar uma chance ao trabalho. Não consegui falar com a minha mãe, Virgínia. Tenho certeza de que se tivesse falado teria chorado umas 5 vezes mais. Nesse terceiro dia eu vi que era, sim, capaz de trabalhar nesse tão dificil emprego de fazedor de neve.
Os dias seguintes não foram tão difíceis. A adaptação começou a ser mais rápida. Alguns dos meus co-workers me ajudaram bastante nisso. JV (vou colocar as iniciais porque ainda tem muito para falar) me ajudou muito e também JBoss. Tiveram alguns que perguntaram porque eu não escolhi outro emprego. Mk e Jn disseram que o trabalho era muito pesado para mim, e te outro, o JD, que fica fazendo um monte de brincadeira idiota. Mas segundo um deles, os americanos demorar para crescer. A gente também é assim de vez em quando.
Ontem, o Mk disse que a gente trabalha bem e é por isso que eles "encomendam" brasileiros na temporada de inverno. É engraçado, porque a gente vem pra ajudar, não pra fazer o trabalho duro mesmo, sozinho. A gente recebe menos que todo mundo, e no fundo, estamos aqui encomendados por sermos mão-de-obra bem barata.
Hoje, sexto dia, vou chegar a 72 horas de trabalho e o primeiro pay check virá bem legal. Estou quase totalemnte adaptado, estou gostando do trabalho, e estou feliz. Eles vão ter que me engolir no fim. Quero ficar aqui os três meses que reciso para saber que minha vida é uma luta diária e que minha conquistas repercutirão para sempre na minha personalidade.
Obrigado Cêmio, Virgínia, Juliana, Fernando... nomes soltos, mas que para mim representam o amor, representam o que seres humanos são capazes de fazer pelo outro, do apoio. Amo vocês.
Gustavo Lacombe Sant´Ana, Windham Snowmaker
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