Última noite de States. – Como eu volto?
Última noite em que escrevo daqui dos EUA. Amanhã nesse horário eu já estarei no aeroporto esperando para embarcar em direção aos entes queridos que deixei no Brasil enquanto engrandecia por aqui. E volto querendo gritar pra quem quiser ouvir que não sou outro, sou o mesmo Gustavo, diferente apenas.
Se os três meses de trabalho me fizeram ter um senso em relação a vida que me faltava (tava na hora de ter mais responsabilidade, não?), o mês de viagem me fez ver o quanto é bom conhecer lugares, pessoas, aproveitar pra ser feliz enquanto é tempo. Porque o tempo, parceiro, passa voando. E ai daquele que não estiver aproveitando a vida, já que cada segundo desperdiçado não volta.
Estou feliz. Fui feliz. Serei mais feliz ainda. E se bater aquela saudade de estar por aqui vai ser a certeza de que tudo valeu a pena. E olha que eu sonho com esse momento: estar no Brasil morrendo de saudade do meu intercâmbio. E eu sonhei com este momento, em que sentaria de fronte ao computador para colocar as impressões dos últimos dias por aqui. É, tá acabando.
Tá acabando porque amanhã ainda tem atividade. Quem foi que disse que arrumar a mala (MAIS UMA VEZ!) não é divertido? Vou poder ver mais uma vez tudo que eu comprei, tudo que me fez ver que valeu a pena estar por aqui, as lembranças materiais que me levarão às imateriais, e sei que vou chorar, rir, me alegrar e até entristecer, porque nada é 100% feliz. E, graças a Deus, nem 100% triste.
Hoje o dia foi típico Miami. Shopping. Se já tinha tido a Aventura e o Jacaré, hoje foi a vez do Golfinho Dolphin Mall me receber. E lá se vai comprovando minha vocação para gastar. Seu consumistinha, né? Sim! Vai gostar de comprar assim que nem mulher lá em Miami. =]
E mesmo isso vai fazer falta. Tudo que estava relacionado ao meu inter vai fazer falta. Estar em Nova York me falta, estar com Cibele e os meninos me falta, estar com a Lis me falta, estar com os amigos que dividiram Windham comigo me falta. Miami faltará. Mas o Rio tá aí. É hora de cantar Tom Jobim de novo, um Samba no avião e que Deus me leve em paz. E o piloto da AA também.
Entretanto, não quero passar por alguém que está sem saudades de casa. Como já disse um milhão de vezes aqui, o Rio me falta, a UFRJ me falta, as pessoas me faltam... E é isso que eu tô indo matar a vontade. Quero uma batucada, a cadência do samba, o calor de uma praia num domingo, ver meu Mengão jogar. É bom voltar. É bom dizer: estou voltando!
E que quem estiver no aeroporto me receba de braços abertos, porque volto com vontade de abraçar o Cristo, de abraçar o Pão de Açúcar. De abraçar o Rio. Que quem não estiver por lá possa ansiar por me ver, assim como eu anseio olhar nos olhos de cada um dos amigos que deixei por aí. Assim como eu quero rever todos de Windham na semana santa. “Vem, pra realidade, Gustavo”, já ouço o Bial dizer.
“Vem pra casa, Gustavo”, eu ouço minha mãe dizer.
E eu tô indo.
Gustavo Lacombe,
Indo.
mesmo tendo passado uma semana com voce, sua presença me faz feliz, afinal voce é parte da minha existencia, assim como seu irmão, que bom que esteja voltando
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