É preciso separar as coisas, principalmente quando elas parecem não se separar. - Antigo novo provérbio Chinês inventado agora.
Depois de um dia inteiro de viagem, seis longas horas para Los Angeles, uma chata hora para Reno e a chegada no frio de verdade, a Operação Snowboard começa a entrar na sua fase principal. A crítica, que foi sexta, saiu muito bem obrigado. Tudo certo, tudo feliz, tudo nos conformes. No vôo para LA encontrei com Alex, um peruano enrolado que dividiu o apartamento comigo no Circus Circus Hotel & Casino, em Reno. E também encontrei com a Natali, outra peruana que está enrolada com as coisas do Social Security.
Chegar em Reno foi tranquilo. Fomos para o hotel, tomei um banho e a gente saiu pra ir ao Wal Mart e a bus station. No Wal Mart foi aquilo, né, comprar botas, calça de neve, comida, e outras amenidades. Ficamos duas horas no mercado. Sim, o peruano enrolado demorou porque precisava comprar uma câmera nova e ligar pra casa. Mas, no fundo, Alex é um cara bacana. Ele está na Rocky House, uma casa alugada por uma menina do Rio que eu conheci. Eu tô no Annex, que literalmente fica anexo ao lado colado junto ao lodge da montanha.
Aliás, a viagem de Reno para Truckee, às 6:30 AM, foi ótima. Tirando o fato que o cara na rodoviária pediu pra eu tirar 7,5 kg da bagagem porque estava com sobrepeso, foi tudo bem. A vista do sol nascendo por de trás das montanhas da Califórnia é linda. Tudo branquinho, bonitinho, e eu quentinho. Lá fora tava um frio da porra.
Em Truckee, cidadezinha do mesmo tamanho ou menor que Windham, eu fui direto pra um lugar chamado Wagon Train Coffee Shop. E é aqui que as comparações começam. Sei que não deveria, mas é impossível não associar as coisas que se passam aqui com as que vi em Nova York. Vou ficar duas semanas, mas aqueles três meses vão passar como flashes na minha cabeça toda vez que algo semelhante acontecer. No Café, a moça que me atendeu foi super gentil. Me arrumou o telefone dela pra eu ligar pro Diogo e para o táxi. Eu lembro da também gordinha moça da Gas Station, que não era tão gentil com todas as pessoas, mas era comigo.
De táxi, indo para Donner Ski Ranch, não vi nada diferente. A não a ser a neve, a estação fica subindo o Donner Lake, que tem uma vista sensacional em um mirante, e a estrada em nada se parece com a que leva para Windham. Cheguei, encontrei com o Diogo no lodge e vim colocar minhas coisas no Anexo. Aí...
Aí, eu vi o tamanho de tudo. Eu divido a casa com mais umas 15 pessoas e é a mesma bagunça da Beck. Um dia aqui e já vi que aquela coisa de cozinhar e deixar sujo, comer e não lavar, levar o lixo pra fora, limpar a cozinha, a sala... vai ser tudo a mesma merda. Eu vou ficar pouco tempo, mas imagino as brigas que existirão aqui porque o banheiro está sujo e ninguém se importa de tomar banho e cagar num lugar assim. O povo vai sofrer muito com os peruanos.
A montanha em si é pequena. Depois de pegar o passe e alugar as coisas, parti para ver com o que estava lidando. Windham não era tão pequena, mas era tão acolhedora quanto Donner. Aqui é muito família. Existem muitas crianças aprendendo a andar de ski e snowboard, e os tíquetes são muito baratos. Um dia aqui custa 20 dólares. Em Squaw Valley, um dos maiores resorts dos EUA e perto daqui, custa 150.
Comparando mais algumas coisas, eu conheci o Daniel, que em muito se parece com o Nilo, o casal Ítala e Vinícius, que se parecem com a Yasmin e o Hugo, e a Fran, que consegue ser mais doida que a Mariana. Existem outros brasileiros também, mas não deu tempo de associá-los. Ah, tem a Helena, que pra mim bate com a Carina. E todo mundo é gente boa. Windham Brasil só vai existir um, mas me permitam sentir saudades daquela época imaginando vocês aqui.
Bom, mas e o snowboard? Isso tá bem parecido ainda. Cheguei a conclusão que é como andar de bicicleta. Não desci nenhuma preta ainda, mas já fui no maior lift daqui. Pra vocês terem noção, Donner não tem snowmaking (pena), mas a região tem muita neve natural. Tudo bem que só abriu hoje (sim, cheguei no primeiro dia da temporada), mas durante a temporada isso aqui vai ficar que nem as roupas que eu lavo com Vanish, muito mais branco.
Não caí, apenas joguei um pouco de neve em mim quando fui parar e não controlei. Delícia. A montanha tem umas trinta trilhas e não vai ser rápido de completar todas. Mas a gente tenta, né? Tô adorando isso aqui. Se eu tinha a vontade de fazer mais snowboard, estou matando aos poucos. Só não tinha saudade do frio. É tenso.
Um beijo gelado para vocês.
Um abraço pra esquentar.
Gustavo.
ps.: / obs.: Como funcionários de Donner (sim, eu me encaixo), a gente pode ir a Sugar Bowl, uma grande montanha com mais de OITENTA trilhas aqui perto. Aliás, é só atravessar a rua e andar um pouco que chega lá. Sweet!
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