terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Primeiros Dias

Salve, Salve.

Meu nome é Gustavo. Gustavo Lacombe. Brasileiro do Rio de Janeiro, vim parar em Windham através do programa de intercâmbio da IE (Intercâmbio no Exterior). Fiz a Job Fair junto com outras pessoas que também estão aqui e dividem casa comigo. Dentre todos esses, mais dois foram escolhidos para o mesmo trabalho: Snowmaker. Nós fazemos neve.

Estranho pensar que um brasileiro possa sair do calor de mais de 100º F e vir pra cá passar frio com quase 0º F (uns 20ºC?), mas são essas coisas diferentes que constroem nossas personalidades, são desafios como esses que vão me fazer pensar lá na frente o quanto é bom estar em casa e como não existe nada que se compare com a sua família, seus amigos e as pessoas que você ama.

Eu cheguei aqui na quarta, dia 15, e comecei a trabalhar dia 16. A chegada foi fácil, a viagem foi tranquila, e num primeiro momento nem o frio eu senti direito. Era frio? Sim, mas nem tanto. Conforme a gente foi chegando mais pro norte foi que o frio pegou de vez. E olha que quando eu saí da van para a primeira parada no Wal Mart ainda eram 4 da tarde. E estava MUITO gelado. Essa primeira fase é diferente de tudo. Se você não vai ao supermercado comprar coisas pra você, facilmente se perde num mercado tão grande. Conclusão: Não peguei coisas suficientes para mim.

Chegamos a Windham e fomos falar com a Steph, dos Recursos Humanos, e vi que ficaria na maior casa do resort. A primeira noite foi bem movimentada. Por ser a maior, a Becky´s House (Nome do dono da casa), é a mais populosa. Praticamente uma festa por dia. Apresentado a todos os moradores, fui me instalar no meu quarto. Detalhe, uma cama de casal só pra mim. Achei que por chegar mais tarde acabaria ficando com mais 30 pessoas, mas dei sorte. Muita sorte.

No dia seguinte fomos preencher uma papelada sobre nossas informações, sobre pagamentos e outras cositas más. Fui apresentado ao meu supervisor que me disse que começaria a trabalhar no mesmo dia, quinta. Passei a tarde pensando como seria o trabalho. Todos já tinham feito cara de espanto quando disse que era night shift e que seria snowmaker. Mas a gente ganha mais, a gente trabalha mais, e eu estou aqui pra isso, afinal de contas, é um Work Experience, não um Fun Experience.

Pra resumir os dois primeiros dias: Quase desisti. Não foi fácil. Era tudo muito diferente. O trabalho, o esforço físico (achei que fosse forte o suficiente), a distância, a cobrança... Meus pés começaram a doer por causa da bota, minhas costas começaram a doer por causa das mangueiras que eu tive de carregar morro abaixo. Ah! é sempre assim, a gente pega um lift, sobe ao topo, e desce andando. Isso das 6 da tarde às 6 da manhã. TENSO. Quando o segundo dia chegou ao fim, achei que não conseguiria continuar no emprego.

Acordei no sabado disposto a trocar de emprego. Fui falar com a Steph de novo e ela disse que não poderia fazer nada. Ou eu ia embora de Windham ou ficava como snowmaker. Eu não vim de tão longe pra desistir. Eu estou aqui para vencer. E como disse meu querido pai: "Se você conseguir vencer esses três meses, você vai ter o que quiser na sua vida". E eu ainda quero muita coisa na minha vida.

De tarde eu falei com ele. O grande Cêmio, meu pai, me ajudou com suas palavras de apoio. Chorei o suficiente pra seguir em frente. E fui ao trabalho com a determinação de me dar mais uma chance, e dar uma chance ao trabalho. Não consegui falar com a minha mãe, Virgínia. Tenho certeza de que se tivesse falado teria chorado umas 5 vezes mais. Nesse terceiro dia eu vi que era, sim, capaz de trabalhar nesse tão dificil emprego de fazedor de neve.

Os dias seguintes não foram tão difíceis. A adaptação começou a ser mais rápida. Alguns dos meus co-workers me ajudaram bastante nisso. JV (vou colocar as iniciais porque ainda tem muito para falar) me ajudou muito e também JBoss. Tiveram alguns que perguntaram porque eu não escolhi outro emprego. Mk e Jn disseram que o trabalho era muito pesado para mim, e te outro, o JD, que fica fazendo um monte de brincadeira idiota. Mas segundo um deles, os americanos demorar para crescer. A gente também é assim de vez em quando.

Ontem, o Mk disse que a gente trabalha bem e é por isso que eles "encomendam" brasileiros na temporada de inverno. É engraçado, porque a gente vem pra ajudar, não pra fazer o trabalho duro mesmo, sozinho. A gente recebe menos que todo mundo, e no fundo, estamos aqui encomendados por sermos mão-de-obra bem barata.

Hoje, sexto dia, vou chegar a 72 horas de trabalho e o primeiro pay check virá bem legal. Estou quase totalemnte adaptado, estou gostando do trabalho, e estou feliz. Eles vão ter que me engolir no fim. Quero ficar aqui os três meses que reciso para saber que minha vida é uma luta diária e que minha conquistas repercutirão para sempre na minha personalidade.

Obrigado Cêmio, Virgínia, Juliana, Fernando... nomes soltos, mas que para mim representam o amor, representam o que seres humanos são capazes de fazer pelo outro, do apoio. Amo vocês.

Gustavo Lacombe Sant´Ana, Windham Snowmaker

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